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Um ano depois… Uma semana em Portugal, duas costelas partidas, e casa nova!

Após um ano (menos 2 dias) neste país que é a Austrália lá rumei a Portugal para matar essa coisa tão Portuguesa a que chamamos Saudade. Fui de surpresa por que é melhor e dá mais pica! Não houve ataques cardíacos nem desmaios… mas quase… é que eu já não fazia a barba havia dois dias e, entre voos, comboios e autocarros, estava em viagem quase há 50 horas! Mas não há nada como a nossa casa. O problema é quando se tem duas… como eu com a Caxaria e o Planeta Terra ;) Em resumo foram 6 dias cheios de coisas boas.

De regresso a Melbourne trabalhei dois dias, em preparação para 5 dias de folga em que trataria pacificamente da transição entre a presente e a futura casa/morada. Contudo e porque há que dificultar as coisas, neste Sábado lá decidi voar por umas escadas abaixo… e fica a fotografia:

Raios X

Veremos então em quanto me vai ficar o voo pois aqui tenho seguro que me dá cobertura em caso de…. não sei bem o quê… Desta forma os 5 dias de folga passaram a ser 10 dias de baixa e naturalmente menos dinheiro na conta… Mais uma experiência “enriquecedora”.

Mas a emoção da mudança para uma área mais central (na cidade de Melbourne) não esmoreceu! Como vou dizendo por aqui: “Prefiro estar a 20km do trabalho do que a 20km do centro.” E então a futura morada é em Chummie Place, mesmo por detrás da Lygon Street! Perdão, da afamada Lygon Street, o suposto Bairro Italiano! Hummm… ou será afamadíssima??

O Natal chegou mais cedo!

Facto é que na Caxaria estará até ao dia 1 de Dezembro uma prendinha com dois braços e duas pernas (Viva a falta de modéstia!)! Essa prendinha responde a vários nomes dependendo do local onde se encontre e com quem se encontra! João para uns, Toni para outros. Há quem lhe chame Grilo, uns mais diriam Jo, Joe, Joa… enfim… Em termos legais a coisa vai assim: João António Dias Grilo.

O catraio quis fazer uma surpresa e a coisa correu bem. Tendo um bilhete de ida e volta para a terra dos cangurus cuja validade eram 12 meses, surgiu a necessidade, ou de deixar ir e perder esse mesmo bilhete, ou de o utilizar à custa de um outro adquirir (para poder regressar, claro). Esse outro custaria (e custou) uns bons dólares e o tempo para permanência seria reduzido. Mas família só há uma, a minha e mais nenhuma. Por isso perdoem-me os meus amigos, sobretudo os que vivem mais distantes, porque a muitos não verei. Esta curta estadia será dedicada a esses que já referi: a minha família.
Aqueles que puderem e quiserem encontra-me-ão na Caxaria, essa bela e desconhecida terriola!

Ah! Home sweet home!

Sentado no varandim!

Porque é isso mesmo que estou a fazer…

Tenho dispensado demasiado tempo a pensar escrever “algo decente”. Tendo em conta que tal opção não está a funcionar… vou limitar-me a expor as “maravilhas” de viver num outro país. Bom, tal sob a forma de uma breve discrição do que se passa neste preciso momento, em que escrevo, claro.

Sentado num pequeno caixote do lixo metálico, com uma almofada a acrescentar conforto, portátil numa cadeira em frente. Tudo isto num varandim que dá para o jardim da casa, nas traseiras. Ouço uma mistura do primeiro álbum dos Madredeus (Os dias da Madredeus) e Wikked Lil’ Grrrls de Esthero… não perguntem porquê. No telhado temos aquilo a que eu chamaria uma fábrica, ou pelo menos o ruído faz juízo à sugerida designação. Na realidade é o ar condicionado… central. Como isto é um país “rico” aqui na barraca o pessoal tem ar condicionado e aquecimento, ambos centrais. Dá jeito… mas tende a ser um verdadeiro DESPERDÍCIO DE ENERGIA. Mas durante o dia esteve um calor dos diabos. Neste momento (meia-noite) diz o BOM que estão uns 25 º C. Lá dentro estão bem mais…

E aqui estou eu a olhar uma árvore que creio ser nativa desta ilha e que pela manhã, pelo menos agora que está em flor, é o poleiro e provedor de pequeno-almoço para muitos papagaios. É uma visão que ainda não consegui tornar rotineira. Sempre que os observo delicio-me como um miúdo no zoológico. Encantadores e livres estes coloridos papagaios. Pela noite vagueio até aos eucaliptos e o pessegueiro que temos aqui no “quintal”. E lá estão eles, os Possums. Mais uma vez é algo que não vejo forma de assimilar como rotina… sai-me outra vez a expressão de catraio no zoo. Estes animais estavam aqui antes de todas estas casas do dito “sonho Australiano” estarem… e seguirão. Nocturnos e marsupiais, adaptam-se. Há que sobreviver. E, a esse propósito, os pêssegos nunca amadurecem. Os Possums devoram-nos antes que tal aconteça!

E amanhã trabalha-se. E é para trabalhar que estou neste país, ou pelo menos assim o diz o visto do departamento de imigração. Termino então o chá Japonês que me foi oferecido por Hiro Ikeda em Nara, e penso nas cigarras barulhentas que por Melbourne começam a veranear, já que o calor convida. Recordam-me os pinhais e o Verão na minha terra, e também Tóquio.

Que contraste… Tóquio e a Caxaria.

Últimas via ligação caracol!

Ultimamente tenho andado algo ocupado. Recebi alguns couchsurfers cá em casa. Jantares, festas, natureza… e dando tal uso ao tempo pouco sobra para vir até estas bandas e deixar um gostinho do que se passa! E, para mal dos meus pecados a ligação cá da casa está limitada a 64 KB até ao próximo dia 12! E isto é para a navegação normal… nem me falem dos uploads… desisto.
Fica então aqui este miserável escrito e algumas dicas sobre o futuro a curto prazo:

Inscrição na Universidade Aberta.
Comprar Canon EOS 3 via Ebay.
Couchsurfing e mais Couchsurfing.
Merengue e salsa (miúdas assigurem-si qui aqui boi ieu!).
Japão e o amigalhão Rebordão!
Trabalhar :( (tem que ser…)

Desde a Austrália: Suadades!

Dia de Camões em Melbourne

O Dia de Camões. História de um Símbolo Nacional

No século XIX, estabeleceu-se que a data do falecimento de Camões teria ocorrido a 10 de Junho de 1580. O responsável por isso foi o visconde de Juromenha que descobriu, na Torre do Tombo, um documento onde era mencionada a quantia a que a mãe do poeta, D. Ana de Sá, tinha direito após a morte do filho, cuja data era indicada. As celebrações nacionais do tricentenário da morte do épico, em 1880, pelo impacto que tiveram na sociedade da época e pelo rasto que deixaram para a posteridade, inscreveram o dia nos fastos da memória republicana e nacional.
A monarquia constitucional não voltaria a comemorar a data. Foi a primeira vereação republicana da Câmara de Lisboa que decidiu transformá-la em feriado do município de Lisboa e num dia especialmente celebrado na capital do país. Ao sabor das vicissitudes políticas e da instabilidade da Primeira República portuguesa, o 10 de Junho foi comemorado durante vários anos, num misto de celebração laica e republicana, dominada pelo grande ideal da Instrução Pública, e de arraial popular, dada a proximidade dos festejos do Santo António.
Somente em 1925, na sequência das comemorações do quarto centenário do nascimento do poeta (também festejado na data da morte, por se desconhecer a do nascimento), é que a data foi consagrada como Festa de Portugal. Mas foi a Ditadura que, finalmente, a instituiu como feriado nacional. O Estado Novo manteve o feriado que, depois de um período de esmorecimento, foi recuperado no quadro da mística imperialista do regime e das comemorações do sacrifício de sangue que os soldados portugueses estavam a fazer nas guerras de África. A designação oficial continuou a ser de Dia de Portugal, mas a retórica vigente recuperou uma expressão já utilizada na comemoração do centenário em 1924, o Dia da Raça. A expressão não tinha um único sentido e tem de ser lida nos contextos em que foi utilizada para se perceber os vários significados que lhe foram atribuídos.
Depois do 25 de Abril, de 1974, num quadro democrático e pós colonial, o dia 10 de Junho manteve-se como um dos mais importantes feriados nacionais. A designação foi alterada para Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A celebração perdia o cunho imperial, mas não deixava de evocar a Diáspora dos Portugueses pelo mundo. O dia 10 de Junho e o Príncipe dos Poetas mantêm-se, assim, como um dos mais perenes símbolos da nação portuguesa.”

Maria Isabel João
(U. Aberta/ CEMRI)
Fonte: Clica aqui

Naturalmente eu não teria clarificado melhor as origens e razões deste tão especial dia.
Ontem, 10 de Junho de 2007, por pura coincidência uma pessoa de origem Índia informou-me deste “Portuguese Festival”! Inicialmente fiquei algo estupefacto, mas ao mesmo tempo seguro da lógica… afinal era o Dia de Camões, esse mesmo a quem tanto a Índia encantou!!

E foi nas Docklands que o evento decorreu. Um espaço similar ao Parque das Nações, em Lisboa. E também isso ajudou a reavivar a memória. Admito que o acontecimento me deixou algo espantado! Desde as filas desorganizadas para comprar comes e bebes, o pessoal a saltar a fila e a sacar comida pela evocação de compadrios, o estereótipo do Português cinquentão de bigode e barriguinha da felicidade… sem dúvida aquela tenda gigante era tão Portuguesa quanto Português se pode ser! A música popular no ar (pimba pois!), o caldo verde, os rissóis, a broa e as sardinhas, farturas, bifanas, feijoada, o Monte Velho mais a Sagres, Super Bock e Coral, pastéis de nata, pastéis de feijão, um mar de verde e vermelho, e o Inglês de Portugal: “Escuse mi.”, o embaixador de Portugal na Austrália com o seu discurso à 25 de Abril: “Senhor presidente da Asso… Esposa, Cavalheiros, Senhores, Senhoras, Gatos e Répteis, é com prazer…”, o terminar com o Rancho a dançar umas modas… e eu sei lá que mais…

Ontem, a 18000 km de distância e sem apanhar um avião, estive em Portugal por umas boas horas!!

Saudoso Borralho

Hoje li que Melbourne bateu o record de 1968 com muito baixa pluviosidade… nada de surpreendente numa seca que se prolonga, dizem, há 10 anos! Mas não quero dar seca e refiro-me a estas estatísticas simplesmente porque, curiosamente, lá fora chove! Não é torrencial, mas chove de forma continua e levemente sonora. Essa agradável melodia da chuva chega-me aos ouvidos e automaticamente os meus olhos buscam uma lareira na qual contraste o crepitar da madeira a consumir-se. Mas nada… pelo menos nada de lareira em pleno uso das suas capacidades. O quarto que me “pertence” foi adaptado de um salão de estar, pelo que a lareira está aqui. Pequena e acanhada tão próxima do soalho alcatifado… temo usá-la. Sobretudo porque a lareira é lugar de comunhão.
Lareira, o borralho, esse irradiador de calor que trás conforto e proximidade. Essa coisa funcional e vivente que é o ponto de encontro da família, que é testemunha. Esse aquecedor imóvel que há que partilhar. Que nunca nos deixa ficar mal… haja lenha!

Lareira

Se tendes uma lareira, fazei bom uso da mesma… é uma dádiva!

Assim se começa!

Hoje decidi que, definitivamente, começaria o meu jornal! Ou, em termos técnicos, o meu Blog. Inspiração: marmelada.

Estando eu a cerca de 18000 km de distância de Portugal coloca-se a óbvia questão de como comunicar. Naturalmente mantenho contacto constante e frequente com a minha família. Porém… e os amigos, conhecidos ou simplesmente curiosos? De forma intermitente mantenho contacto com algumas pessoas. Contudo não é tarefa fácil de cumprir.

Desde que deixei Portugal em 2003 rumo ao Reino-Unido que a Internet se tornou uma parte integrante do meu dia-a-dia. A facilidade com que posso aceder às últimas notícias sobre Portugal, o Mundo. A possibilidade de usufruir de ferramentas que, de outra forma, desconheceria. Sejam eles mapas, enciclopédias, fóruns de informação, e tanto mais. O correio electrónico, esse monstro da comunicação que tanto afasta como aproxima. E os blogs… essa espécie de diário em linha que todos podem consultar. Esse jornal pessoal mas também colectivo, no qual um pode partilhar, potencialmente, com todo o ser humano que disponha de uma ligação à Internet. Enquanto vivi no Reino-Unido ocorreu-me a possibilidade de um blog. Porém tal nunca foi avante.

Agora, aqui, na Austrália, a 18000 km de distância… um blog, essa gazeta, tornou-se mais desejável. Todavia somente 5 meses após a chegada escrevo. Um blog é como que um papiro em praça pública. Pode ser ignorado ou pode ser “demasiado” requisitado. Sendo pessoal é difícil delinear fronteiras. Onde parar, por onde começar, o que escrever. Podem ferir-se susceptibilidades. Pode ser-se inconscientemente indelicado. Pode ser-se mal-entendido, mal interpretado. Um pode expor-se demasiado. Tudo isto tive que ponderar. Uma pessoa trouxe alguma inspiração. António Rebordão. A ele um bem-haja.

Decidi que iria blogar. Pesquisei possibilidades. E apesar de haverem vários serviços gratuitos que permitem qualquer um criar o seu blog a minha opção foi outra. Comprei o meu próprio domínio. E nele criei o subdomínio onde escrevo este jornal/blog. Se bem que já lá vai algum tempo desde que tal aconteceu somente hoje me senti inspirado a começar… e tudo por causa da marmelada. No caminho do trabalho para casa deparei-me há umas semanas com um marmeleiro! Um marmeleiro em plena Melbourne suburbana! Divinal. Na Caxaria há poucos marmeleiros tão bonitos como este. E os dias foram passando. Sempre que passava por lá os marmelos estavam na mesma. Mas sendo um jardim privado… pensei que os donos lhe dariam uso. E os dias a passar. Finalmente ganhei coragem, bati à porta e perguntei se poderia levar alguns marmelos. Resposta: Claro, leva um par deles. Estava escuro… e eu optei por trazer 5 em vez do tal par! É que com um par não se faz muita marmelada;)

Hoje. Marmelos, açúcar, baunilha, pau de canela e água. Fez-se: marmelada e geleia. A minha adaptação daquilo que várias vezes vi a minha querida Mãe fazer e, claro, umas consultas na net. A saudade apertou. E decidi escrever. Bendita marmelada.

Geleia & Marmelada