Archive for the 'conhecimento' Category

Emigrar

emigrar

v. intr.
1. Sair da pátria (como emigrante ou como emigrado).
2. Mudar (anualmente) de região.
in Priberam

Já lá vão quase seis anos desde que deixei Portugal… em busca de aventura, novidade, desafios… eu sei lá. Nem sempre é fácil justificar as nossas opções e para mim mais difícil fica com o passar do tempo. A distância temporal alonga-se e recordo-me sobretudo da impulsividade. Muitos, incluindo amigos e família acreditaram e alguns ainda acreditam que a minha escolha teve que ver com dinheiro. Há 6 anos, tal como hoje, Portugal oferecia poucas perspectivas. E os Portugueses tal como muitos outros povos aceitam mais facilmente razões económicas como explicação do que simplesmente um desejo de ir por ai e conhecer coisas novas.

Sigo noutro país, a Austrália. E, honestamente, surge-me difícil considerar regressar a Portugal… ironia do destino, tal, por razões económicas.
Algumas pessoas que acabam por encontrar o meu blog parecem pesquisar sobre emigração. E, excepto comentários dos meus amigos, os escritos deixados ou o correio electrónico que me enviam seguem essa mesma linha.
Hoje, quase seis anos passados entendo melhor as razões que têm que ver com dinheiro. Afinal essa razão juntou-se ao leque das minhas.

De certa forma este blog está a tomar novos contornos. Assim, gostava de solicitar a vossa opinião. Estou aqui e tenho um razoável conhecimento da Austrália e mecanismos de emigração, ou, para os deste lado, imigração. Informação é um instrumento fundamental em qualquer área da vida humana e gostaria de partilhar informação convosco. Preciso simplesmente de algumas sugestões. Se bem que tenha uma certa ideia do quê e de como, a vossa opinião seria deveras útil.

Deixo então este pedido assim, impreciso e vago. Fico à espera do vosso correio ou comentários.

Obrigado.

Berdade ó mintira?!

Vou lendo e vendo e ouvindo sobre este planeta terra, os seus países, factos, formas de organização… mas começo a ficar meio confuso quando se denominam certas coisas com substantivos/adjectivos que parecem, digamos, não encaixar.

A China, dizem, é comunista!?
Os Estados Unidos da América são uma democracia!?
Em Darfur não se passa nada!?
O Iraque tem um governo?! Eleito?!
Há terroristas a pontapés e os gajos só querem é sangue!?
O Iraque tinha armas nucleares até aos dentes!?
O petróleo está a acabar?

E sei lá que mais. São muitos os conceitos erróneos que possuimos em relação ao que se passa neste planeta. Por vezes culpa nossa, por vezes desinformação.

Mas de todas a que mais me intriga é a ideia de que o petróleo está a escassear… em plena revolução industrial muitos analistas diziam que o carvão estava para acabar! Isto já lá vão quase 200 anos! Claro… agora é o petróleo!

No meio disto tudo aqui os meus amigos Australianos não têm mãos a medir… parece que no outro dia estavam para aí uns 40 cargueiros à espera uma média de 20 dias para levarem o “abençoado” carvão desde o Porto de Newcastle na Nova Gales do Sul para o resto do planeta… sobretudo Ásia (entenda-se China)!

Vá-se lá saber…

Humanos…

Aquilo que nos rodeia existe por si só. Porém, a perspectiva de quem observa, sendo quem humano, torna o “aquilo” subjectivo, variável. Estou convicto que a tal perspectiva é francamente moldável. Nasce-se, cresce-se. Aprende-se uma cultura, absorve-se uma língua. Factores estes que, com muitos outros, moldam não o que vemos, mas como vemos.

Outrora conheci uma pessoa que me disse: “Nacionalismo é uma doença que se cura a viajar.”
Não querendo ser a favor ou contra, e ignorando o tema nacionalismo, devo dizer que a exposição a outras realidades e culturas nos torna mais tolerantes, receptivos e menos propícios a choques. No sub-planeta Humanidade as possibilidades são imensas, não existe o estilo de vida perfeito ou a cultura ideal. As diferentes abordagens que países/culturas têm relativamente à sua interacção com o meio e às relações humanas devia ser elevado a Património do Humanidade.

E tudo isto porque hoje um jovem Europeu ficou algo surpreendido com o gesto amigável que uma jovem Australiana teve enquanto com ele falava. Simplesmente manteve a sua mão no ombro ou na perna do dito rapaz. Enquanto tal não será estranho a países do sul da Europa, como Portugal, em países mais nórdicos, caso do jovem, contacto físico enquanto se comunica pode ser interpretado de forma negativa. E assim o gesto, negativamente, interpretou o dito Europeu, que do Mundo havia experimentado Alemanha, onde nasceu, e Suíça!

Atchim!

Sou muito pouco inibido no que se refere a espirrar! Tal, creio, tem que ver com dois factos. Primeiro, nunca tal acção me foi indicada como sendo socialmente inaceitável. Segundo, sei qual a função deste reflexo inato.

Espirrar é um importante mecanismo que permite ao organismo “limpar” as vias aéreas. O organismo detecta algo no trato respiratório (pó, micróbios, pólen, bolas de ping-pong…), identifica-o como objecto estranho, envia informação aos músculos torácicos e diafragma… e ATCHIM!! Depois de criada uma pressão positiva dentro dos pulmões o ar é expelido a uma velocidade de 150/250 km/h ou até mais! Tendo em conta a positiva abordagem que me foi incutida em relação a este fenómeno eu sou daqueles que com naturalidade partilha as suas entranhas com quem estiver numa área de 5 metros (Mas eu uso lenço ou ponho as mãos… não temam)! O espirro é um fenómeno poderoso! Todavia não entendo aqueles que contêm o espirro como se ele fosse um flato! Um espirro é uma oportunidade única. Algo que não se pode deixar para mais tarde. E, é uma das poucas demonstrações de força que o Homem pode fazer (sem engenhocas!) perante o meio que o rodeia… tendo em conta que somos o animalzinho mais frágil ao cima da crosta terrestre! Já sei, já sei… também espalha doenças… já disse, uso lenço ou vai com as mãos que se lavam de seguida.

Pessoalmente sinto uma espécie de renovação energética pós-espirro! Agradam-me particularmente as sequências de três ou quatro.

Espirro

Até os bebés espirram! Por isso vamos lá a utilizar as nossas defesas naturais. Abaixo o engolir o espirro. Abaixo o espirrar suavemente. Há que usar esses peitos… estes conselhos vão sobretudo para as meninas que têm sempre muita vergonha de “dar um Atchim”. Vamos lá a espirrar… ATCHIM!!! Santinho. E claro, em Portugal, sempre uma oportunidade ou de ser abençoado ou então ser denominado Santo sem ter que passar todas aquelas provas do Vaticano.

Para os curiosos: eu também não sei para que raio decidi divagar sobre esta temática… acho que era por causa das convenções sociais… na Índia desconfiam se o pessoal não espirra!

Democracia do Abstracto.

No outro dia falando ao telefone com o António, dizia-me ele sobre esta coisa de bloggar. Que é preciso estar algo motivado e claro, com inspiração. E eu naturalmente concordo. A vantagem de um escritor não é tanto a capacidade de conceber intrigas e enredos na sua mente. Isso todos, ou quase todos conseguimos fazer. Tal profissional dá pelo já referido nome de escritor por fazer uso do verbo com a mesma raiz etimológica que a do substantivo que denomina a sua ocupação. Por outras palavras: o gajo escreve. Pensamentos leva-os o vento, ficamos com eles ou então estendem-se aos que os ouvem da nossa boca… agora escritos, isso já é outra coisa. Desde Gutenberg que o seu alcance se exponenciou. E, com o milagre da Internet… qual o limite dos escritos? Então, hoje veio-me a inspiração para a escrita de uma indignação que brotou de forma pacífica.

Sigo.

Tendo o dia livre e prévios planos sabotados ocorreu-me explorar a NGV International. Esta é a porção, digamos, da Galeria Nacional de Victoria que se dedica a arte de origem não Australiana, e que se encontra num edifício distinto. Aí deambulei entre trabalhos de variados autores, épocas e movimentos artísticos. Naturalmente dei de caras com variadas obras abstractas. Desde há muito que tenho uma dual reacção perante peças desta vertente artística. Porém hoje foi de mais… junto à seguinte obra havia a típica anotação dos curadores do museu que incluía uma observação do autor, Mark Rothko (há muito falecido).

Mark Rothko n.o 37 (Red)

E diz o autor:

…only in expressing basic human emotions — tragedy, ecstasy, doom, and so on. And the fact that a lot of people break down and cry when confronted with my pictures shows that I can communicate those basic human emotions . . . The people who weep before my pictures are having the same religious experience I had when I painted them. And if you, as you say, are moved only by their color relationship, then you miss the point.”

Mais uma vez assumo a compreensão por parte de todos… mas acaso alguém não goste de Inglês a coisa vai mais ou menos assim:

somente exprimindo emoções humanas básicas – tragédia, extasia, destino, e outras mais. E o facto de que muitas pessoas choram quando confrontadas com as minhas pinturas, mostra que eu consigo comunicar essas emoções humanas básicas… As pessoas que choram perante as minhas obras têm o mesmo tipo de experiência religiosa que eu tive quando as pintei. E se vossa mercê, como diz, é movida somente pela sua relação cromática, então não entende a ideia.”

Deixem que vos diga: eu quase que chorei… de RAIVA! Talvez seja por não ser muito religioso! Mas passo a explicar a minha indignação, deveras simples. Sem entrar em detalhes técnicos a maior parte de nós entende o Abstracto como isso mesmo! Mas este autor dá-se ao luxo de nos dizer o que devemos sentir/entender aquando da visualização da sua obra… a tal que é suposto ser abstracta! Todavia ele recusava o rótulo de abstraccionista! Talvez seja por isso…

Bom mas os blogs não são para isto.

E agora que já desabafei aconselho-vos a ir mais, ou ainda mais, a museus. Pois só com a crítica do leigo poderá a arte tornar-se mais democrática.

Wikipédia

Porque uso tanto a Wikipédia como referência para o que vou escrevendo? Porque informação é poder. E, na Wikipédia a informação é algo mais “democrática”! Com os seus pontos fracos… obviamente.

Se fizerem uma pesquisa num qualquer motor de busca sobre tópicos de determinadas áreas como história, demografia, antropologia, etc, facilmente encontram a Wikipédia entre os 5 primeiros resultados e até, várias vezes, como o primeiro! Por outro lado a informação contida neste sítio pode ser editada por qualquer mortal com acesso à Internet. Porém esta acção editorial pode e é mediada. E esta mediação acontece de forma cada vez mais aperfeiçoada. Wikipédia pousa distante da perfeição mas veio criar a noção daquilo a que eu chamaria enciclopédia viva… o conhecimento de e a quem ele se destina. Será que o conhecimento exacto somente o é se for directamente pago? Somente se for compilado e editado por supostos profissionais? Perguntas difíceis de responder.

Informação é poder. Vejam o Iraque… os Americanos e até nós próprios que actuamos/julgamos muitas vezes baseados em informação errada ou incorrectamente editada (ou, pior, propositadamente incorrectamente editada:) ). Por isso aqui fica o meu convite. Vão à Wikipédia, pesquisem um tema sobre o qual estejam bem informados, ou creiam estar, e editem! Também podem simplesmente criar uma entrada com informação sobre um assunto que ainda não esteja disponível!

Wikipédia

E também uso a Wikipédia porque não tenho uma biblioteca doméstica! Ah!!… Nada como um livro nas mãos!