v. intr.
1. Sair da pátria (como emigrante ou como emigrado).
2. Mudar (anualmente) de região.
in Priberam
Já lá vão quase seis anos desde que deixei Portugal… em busca de aventura, novidade, desafios… eu sei lá. Nem sempre é fácil justificar as nossas opções e para mim mais difícil fica com o passar do tempo. A distância temporal alonga-se e recordo-me sobretudo da impulsividade. Muitos, incluindo amigos e família acreditaram e alguns ainda acreditam que a minha escolha teve que ver com dinheiro. Há 6 anos, tal como hoje, Portugal oferecia poucas perspectivas. E os Portugueses tal como muitos outros povos aceitam mais facilmente razões económicas como explicação do que simplesmente um desejo de ir por ai e conhecer coisas novas.
Sigo noutro país, a Austrália. E, honestamente, surge-me difícil considerar regressar a Portugal… ironia do destino, tal, por razões económicas.
Algumas pessoas que acabam por encontrar o meu blog parecem pesquisar sobre emigração. E, excepto comentários dos meus amigos, os escritos deixados ou o correio electrónico que me enviam seguem essa mesma linha.
Hoje, quase seis anos passados entendo melhor as razões que têm que ver com dinheiro. Afinal essa razão juntou-se ao leque das minhas.
De certa forma este blog está a tomar novos contornos. Assim, gostava de solicitar a vossa opinião. Estou aqui e tenho um razoável conhecimento da Austrália e mecanismos de emigração, ou, para os deste lado, imigração. Informação é um instrumento fundamental em qualquer área da vida humana e gostaria de partilhar informação convosco. Preciso simplesmente de algumas sugestões. Se bem que tenha uma certa ideia do quê e de como, a vossa opinião seria deveras útil.
Deixo então este pedido assim, impreciso e vago. Fico à espera do vosso correio ou comentários.
No século XIX, estabeleceu-se que a data do falecimento de Camões teria ocorrido a 10 de Junho de 1580. O responsável por isso foi o visconde de Juromenha que descobriu, na Torre do Tombo, um documento onde era mencionada a quantia a que a mãe do poeta, D. Ana de Sá, tinha direito após a morte do filho, cuja data era indicada. As celebrações nacionais do tricentenário da morte do épico, em 1880, pelo impacto que tiveram na sociedade da época e pelo rasto que deixaram para a posteridade, inscreveram o dia nos fastos da memória republicana e nacional.
A monarquia constitucional não voltaria a comemorar a data. Foi a primeira vereação republicana da Câmara de Lisboa que decidiu transformá-la em feriado do município de Lisboa e num dia especialmente celebrado na capital do país. Ao sabor das vicissitudes políticas e da instabilidade da Primeira República portuguesa, o 10 de Junho foi comemorado durante vários anos, num misto de celebração laica e republicana, dominada pelo grande ideal da Instrução Pública, e de arraial popular, dada a proximidade dos festejos do Santo António.
Somente em 1925, na sequência das comemorações do quarto centenário do nascimento do poeta (também festejado na data da morte, por se desconhecer a do nascimento), é que a data foi consagrada como Festa de Portugal. Mas foi a Ditadura que, finalmente, a instituiu como feriado nacional. O Estado Novo manteve o feriado que, depois de um período de esmorecimento, foi recuperado no quadro da mística imperialista do regime e das comemorações do sacrifício de sangue que os soldados portugueses estavam a fazer nas guerras de África. A designação oficial continuou a ser de Dia de Portugal, mas a retórica vigente recuperou uma expressão já utilizada na comemoração do centenário em 1924, o Dia da Raça. A expressão não tinha um único sentido e tem de ser lida nos contextos em que foi utilizada para se perceber os vários significados que lhe foram atribuídos.
Depois do 25 de Abril, de 1974, num quadro democrático e pós colonial, o dia 10 de Junho manteve-se como um dos mais importantes feriados nacionais. A designação foi alterada para Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A celebração perdia o cunho imperial, mas não deixava de evocar a Diáspora dos Portugueses pelo mundo. O dia 10 de Junho e o Príncipe dos Poetas mantêm-se, assim, como um dos mais perenes símbolos da nação portuguesa.”
Maria Isabel João
(U. Aberta/ CEMRI)
Fonte: Clica aqui
Naturalmente eu não teria clarificado melhor as origens e razões deste tão especial dia.
Ontem, 10 de Junho de 2007, por pura coincidência uma pessoa de origem Índia informou-me deste “Portuguese Festival”! Inicialmente fiquei algo estupefacto, mas ao mesmo tempo seguro da lógica… afinal era o Dia de Camões, esse mesmo a quem tanto a Índia encantou!!
E foi nas Docklands que o evento decorreu. Um espaço similar ao Parque das Nações, em Lisboa. E também isso ajudou a reavivar a memória. Admito que o acontecimento me deixou algo espantado! Desde as filas desorganizadas para comprar comes e bebes, o pessoal a saltar a fila e a sacar comida pela evocação de compadrios, o estereótipo do Português cinquentão de bigode e barriguinha da felicidade… sem dúvida aquela tenda gigante era tão Portuguesa quanto Português se pode ser! A música popular no ar (pimba pois!), o caldo verde, os rissóis, a broa e as sardinhas, farturas, bifanas, feijoada, o Monte Velho mais a Sagres, Super Bock e Coral, pastéis de nata, pastéis de feijão, um mar de verde e vermelho, e o Inglês de Portugal: “Escuse mi.”, o embaixador de Portugal na Austrália com o seu discurso à 25 de Abril: “Senhor presidente da Asso… Esposa, Cavalheiros, Senhores, Senhoras, Gatos e Répteis, é com prazer…”, o terminar com o Rancho a dançar umas modas… e eu sei lá que mais…
Ontem, a 18000 km de distância e sem apanhar um avião, estive em Portugal por umas boas horas!!