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Onde está o João?

Mais de 8 meses desde o último “post”!

Encontro-me em Darwin.
No dia 1 de Setembro deixei Melbourne a bordo da WOMbat! No dia 10 de Outubro o António deixou Darwin e começou assim a minha “estadia” nesta cidade deveras tropical!
Por motivos “pessoais” aqui estou e ficarei até finais de Janeiro.
Mais se seguirá.

WOMbat

 Eu, o António – minha esquerda ao fundo, Mikkel – minha direita ao fundo, e a WOMbat, a matulona de confiança.
Fotografia de António Rebordão

 

Absentismo.

E já lá vão umas três semanas e nada de escrever por estas bandas. E à falta de inspiração fala-se precisamente das razões de tal absentismo. Neste caso: vida social.

Creio que é uma daquelas coisas que estão sempre em risco quando nos mobilizamos para um outro país. A vida social fica como que morta por algum tempo. Seja ele longo ou curto. Se se vai para estudar a coisa fica mais fácil. Cria-se mais empatia com os colegas de “trabalho” pois em geral não só se tem a “actividade laboral” em comum como também o estilo de vida: estudante! Todavia, e tendo eu vindo para estas bandas como enfermeiro, digamos que a minha vida não ficou facilitada. Apesar de ter em comum a actividade laboral garanto a pés juntos que não comungo com os meus colegas no que se refere ao estilo de vida. Vejamos. Não estou a fazer qualquer investimento na minha profissão. Não há cá cursos, livros para ler ou seminários. Não tenho um empréstimo habitação. Mais importante, não quero ter. Não tenho uma noiva ou casamento marcado. Também não me aguça o apetite. Não tenho uma carro e com ele o empréstimo para pagar. Carro quero, mas em segunda mão e sem intervenção do amigo banco. Não tenho garotos, não estou a tentar ter, nem estou a tentar encontrar alguém para os “produzir” comigo. Quero ter sim, mas num futuro relativamente distante. Por enquanto há que praticar ;) . E a lista por ai se estenderia… Identifico-me então muito mais com os meus colegas surfadores de sofás, que passaram a amigos e depois vem o amigo do amigo, mais o gajo ou gaja que “ninguém conhece mas também não importa”.

Nestes últimos tempos tenho-me entranhado em actividades sociais em todos os dias em que estou de folga e, inclusive alguns em que estou a trabalhar. Escusado será dizer que: “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”. O meu círculo de “amigos” cresce. Os telefonemas acontecem, os convites surgem.

Ficam as desculpas pela ausência de notícias. Mas, verdade seja dita, essas resumem-se a um corre-corre social.

Ah… dia 30 deste mês: Japão ai vou eu.

Humanos…

Aquilo que nos rodeia existe por si só. Porém, a perspectiva de quem observa, sendo quem humano, torna o “aquilo” subjectivo, variável. Estou convicto que a tal perspectiva é francamente moldável. Nasce-se, cresce-se. Aprende-se uma cultura, absorve-se uma língua. Factores estes que, com muitos outros, moldam não o que vemos, mas como vemos.

Outrora conheci uma pessoa que me disse: “Nacionalismo é uma doença que se cura a viajar.”
Não querendo ser a favor ou contra, e ignorando o tema nacionalismo, devo dizer que a exposição a outras realidades e culturas nos torna mais tolerantes, receptivos e menos propícios a choques. No sub-planeta Humanidade as possibilidades são imensas, não existe o estilo de vida perfeito ou a cultura ideal. As diferentes abordagens que países/culturas têm relativamente à sua interacção com o meio e às relações humanas devia ser elevado a Património do Humanidade.

E tudo isto porque hoje um jovem Europeu ficou algo surpreendido com o gesto amigável que uma jovem Australiana teve enquanto com ele falava. Simplesmente manteve a sua mão no ombro ou na perna do dito rapaz. Enquanto tal não será estranho a países do sul da Europa, como Portugal, em países mais nórdicos, caso do jovem, contacto físico enquanto se comunica pode ser interpretado de forma negativa. E assim o gesto, negativamente, interpretou o dito Europeu, que do Mundo havia experimentado Alemanha, onde nasceu, e Suíça!

A grande estrada oceânica!

A última vez que me dignei manifestar-me no meu próprio espaço foi há cerca de 11 dias! Bastante tempo ah… pelo menos para o mundo “argonáutico”! Uma mistura de actividade social e trabalho levaram a que assim fosse.

Entre variadas coisas tive o privilégio de percorrer parte da tão afamada Great Ocean Road! Uma delícia para os olhos, para a alma e para os pulmões… tanto verde!

Deixo então uma foto, a minha pessoa, Alisdair, Kristian e Maria. As maravilhas do Couchsurfing!

Arco da Great Ocean Road!

Surfar sofás!

Hoje conheci mais um couchsurfer! Sim, um surfador de sofás! Alguns poderão já estar familiarizados com a definição, mas para outros poderá ser uma total novidade. Basicamente inscrevemo-nos num determinado sítio, disponibilizamos o nosso sofá ou solicitamos sofás… dependendo das nossas viagens e destinos. Um pouco mais complicado mas poderão pesquisar sobre detalhes. Couchsurfing começou em 1999. Não era uma noção pioneira. Porém, a forma como permite a interacção entre couchsurfers tornou-o numa referência/preferência.

Eu próprio sou um couchsurfer desde 2004. A minha participação tem sido algo conturbada. Porém voltei ao activo recentemente. Mas porquê ser parte de tal coisa? Porquê ser um couchsurfer e dormir em casa de desconhecidos e ter desconhecidos a dormir em nossa casa? Uma boa pergunta. Começo por dizer que temo que a filosofia original se dilua (se é que já não começou) com o aumento do número de membros. Afinal não podemos ter o planeta inteiro a fazer couchsurfing de qualidade. Em 2004 éramos 10000 e agora somos 210000! E os 10000 em cima dos 200000 foi só no último mês!! Mas não fugindo ao assunto. Surfar sofás não têm somente que ver com poupar uns trocos. Nem só se trata de pernoitar. Aliás, tem muito pouco que ver, pelo menos para mim. É sobre partilha. Sobretudo de informação, ideias e experiências. A base comum é o gosto por viajar, por absorver outras formas de estar, outras maneiras de conceber a vida. O sentir ser-se um embaixador da tolerância, da diversidade. Quando surfei pela primeira vez fiquei com as chaves do apartamento em dois minutos e vivi Paris como nenhum turista vive em quatro dias… ou quase nenhum. É uma oportunidade de ao visitar um local nos integrarmos com os “nativos”. De em pouco tempo ficarmos a saber o que pensam de um determinado sítio os que lá vivem. A possibilidade de aceder a informação que não vem nos guias turísticos! A possibilidade de experimentar o que não é suposto como turistas. Claro que é necessário muita confiança e abertura. Requere entrega e genuinidade. Creio que o aumentar constante do número de membros vai elevar a dificuldade da missão que é encontrar surfadores genuínos. Mas que tal não vos detenha.

Poema:

Há muitos
tubarões no mar
e nem por isso
o pessoal deixar de surfar!

Brincadeira…

Continuando:
Existem outros grupos/clubes, redes sociais… chamem-lhe o que quiserem… com filosofias idênticas, alguns inclusive mais antigos. Conheço pelo menos outros quatro. Stay4free, The Globetrotters Club, GlobalFreeloaders e Hospitality Club! E, depois de uma breve googlada, a título de curiosidade, apareceram mais uns poucos! Enfim… a moda pegou. Contudo nestas quatro outras opções a interacção com o sítio não é particularmente facilitada e pelo menos um solicita uma contribuição monetária. Talvez seja este o caminho a seguir. Criar filtros que permitam aos genuínos surfadores prevalecer. A facilidade de interacção que o Couchsurfing possibilita leva a que alguém com a mínima necessidade de um sofazinho para aterrar vá adiante e se junte aos 200000. Afinal não custa nada…
Todavia o meu objectivo é honrar o couchsurfing, não apontar os seus quês.
E aqui fica a sugestão: ajuntem-se à gente carago!
E não é necessário sair do país para surfar. Em Portugal somos mais de 3700.
Boas surfadelas.

Assim se começa!

Hoje decidi que, definitivamente, começaria o meu jornal! Ou, em termos técnicos, o meu Blog. Inspiração: marmelada.

Estando eu a cerca de 18000 km de distância de Portugal coloca-se a óbvia questão de como comunicar. Naturalmente mantenho contacto constante e frequente com a minha família. Porém… e os amigos, conhecidos ou simplesmente curiosos? De forma intermitente mantenho contacto com algumas pessoas. Contudo não é tarefa fácil de cumprir.

Desde que deixei Portugal em 2003 rumo ao Reino-Unido que a Internet se tornou uma parte integrante do meu dia-a-dia. A facilidade com que posso aceder às últimas notícias sobre Portugal, o Mundo. A possibilidade de usufruir de ferramentas que, de outra forma, desconheceria. Sejam eles mapas, enciclopédias, fóruns de informação, e tanto mais. O correio electrónico, esse monstro da comunicação que tanto afasta como aproxima. E os blogs… essa espécie de diário em linha que todos podem consultar. Esse jornal pessoal mas também colectivo, no qual um pode partilhar, potencialmente, com todo o ser humano que disponha de uma ligação à Internet. Enquanto vivi no Reino-Unido ocorreu-me a possibilidade de um blog. Porém tal nunca foi avante.

Agora, aqui, na Austrália, a 18000 km de distância… um blog, essa gazeta, tornou-se mais desejável. Todavia somente 5 meses após a chegada escrevo. Um blog é como que um papiro em praça pública. Pode ser ignorado ou pode ser “demasiado” requisitado. Sendo pessoal é difícil delinear fronteiras. Onde parar, por onde começar, o que escrever. Podem ferir-se susceptibilidades. Pode ser-se inconscientemente indelicado. Pode ser-se mal-entendido, mal interpretado. Um pode expor-se demasiado. Tudo isto tive que ponderar. Uma pessoa trouxe alguma inspiração. António Rebordão. A ele um bem-haja.

Decidi que iria blogar. Pesquisei possibilidades. E apesar de haverem vários serviços gratuitos que permitem qualquer um criar o seu blog a minha opção foi outra. Comprei o meu próprio domínio. E nele criei o subdomínio onde escrevo este jornal/blog. Se bem que já lá vai algum tempo desde que tal aconteceu somente hoje me senti inspirado a começar… e tudo por causa da marmelada. No caminho do trabalho para casa deparei-me há umas semanas com um marmeleiro! Um marmeleiro em plena Melbourne suburbana! Divinal. Na Caxaria há poucos marmeleiros tão bonitos como este. E os dias foram passando. Sempre que passava por lá os marmelos estavam na mesma. Mas sendo um jardim privado… pensei que os donos lhe dariam uso. E os dias a passar. Finalmente ganhei coragem, bati à porta e perguntei se poderia levar alguns marmelos. Resposta: Claro, leva um par deles. Estava escuro… e eu optei por trazer 5 em vez do tal par! É que com um par não se faz muita marmelada;)

Hoje. Marmelos, açúcar, baunilha, pau de canela e água. Fez-se: marmelada e geleia. A minha adaptação daquilo que várias vezes vi a minha querida Mãe fazer e, claro, umas consultas na net. A saudade apertou. E decidi escrever. Bendita marmelada.

Geleia & Marmelada