Archive for the 'Social' Category

De volta… com calma!

Nos países ditos Ocidentais, desenvolvidos, ou seja lá o que for que lhe queiram chamar, muitas pessoas, e cada vez mais, têm vidas trágicas… inventadas por elas próprias!

Eu, já há muito que sedimentei a ideia de que passamos pouco tempo por estas terras. Então não vale a pena estar a gastar minutos preciosos…

Crescemos numa cultura do trabalhar trabalhar, para ter dinheiro, ter dinheiro, para comprar, comprar, coisas, coisas!! E então quando o dito nativo de pais ocidental faz férias, porque é barato e exótico, lá no país do não tão desenvolvido, surpreende-se de ver pessoas que simplesmente… contemplam, e vêem a banda a passar. Porque afinal em vez de estar ali parado a olhar, contemplando, podiam estar a trabalhar, trabalhar, para ter dinheiro, ter dinheiro, para comprar, comprar, coisas, coisas!! E depois podiam ir passar férias, porque é barato e exótico, lá no país do não tão desenvolvido! E, ver pessoas que simplesmente… contemplam, e vêem a banda a passar. Porque afinal em vez de estar ali parado a olhar, contemplando, podiam estar a trabalhar, trabalhar, para ter dinheiro, ter dinheiro, para comprar, comprar, coisas, coisas…

Não me parece que haja uma filosofia de vida ideal… mas se alguma está próxima de o ser certamente não é a dos países ditos “desenvolvidos”.

Absentismo.

E já lá vão umas três semanas e nada de escrever por estas bandas. E à falta de inspiração fala-se precisamente das razões de tal absentismo. Neste caso: vida social.

Creio que é uma daquelas coisas que estão sempre em risco quando nos mobilizamos para um outro país. A vida social fica como que morta por algum tempo. Seja ele longo ou curto. Se se vai para estudar a coisa fica mais fácil. Cria-se mais empatia com os colegas de “trabalho” pois em geral não só se tem a “actividade laboral” em comum como também o estilo de vida: estudante! Todavia, e tendo eu vindo para estas bandas como enfermeiro, digamos que a minha vida não ficou facilitada. Apesar de ter em comum a actividade laboral garanto a pés juntos que não comungo com os meus colegas no que se refere ao estilo de vida. Vejamos. Não estou a fazer qualquer investimento na minha profissão. Não há cá cursos, livros para ler ou seminários. Não tenho um empréstimo habitação. Mais importante, não quero ter. Não tenho uma noiva ou casamento marcado. Também não me aguça o apetite. Não tenho uma carro e com ele o empréstimo para pagar. Carro quero, mas em segunda mão e sem intervenção do amigo banco. Não tenho garotos, não estou a tentar ter, nem estou a tentar encontrar alguém para os “produzir” comigo. Quero ter sim, mas num futuro relativamente distante. Por enquanto há que praticar ;) . E a lista por ai se estenderia… Identifico-me então muito mais com os meus colegas surfadores de sofás, que passaram a amigos e depois vem o amigo do amigo, mais o gajo ou gaja que “ninguém conhece mas também não importa”.

Nestes últimos tempos tenho-me entranhado em actividades sociais em todos os dias em que estou de folga e, inclusive alguns em que estou a trabalhar. Escusado será dizer que: “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”. O meu círculo de “amigos” cresce. Os telefonemas acontecem, os convites surgem.

Ficam as desculpas pela ausência de notícias. Mas, verdade seja dita, essas resumem-se a um corre-corre social.

Ah… dia 30 deste mês: Japão ai vou eu.

Humanos…

Aquilo que nos rodeia existe por si só. Porém, a perspectiva de quem observa, sendo quem humano, torna o “aquilo” subjectivo, variável. Estou convicto que a tal perspectiva é francamente moldável. Nasce-se, cresce-se. Aprende-se uma cultura, absorve-se uma língua. Factores estes que, com muitos outros, moldam não o que vemos, mas como vemos.

Outrora conheci uma pessoa que me disse: “Nacionalismo é uma doença que se cura a viajar.”
Não querendo ser a favor ou contra, e ignorando o tema nacionalismo, devo dizer que a exposição a outras realidades e culturas nos torna mais tolerantes, receptivos e menos propícios a choques. No sub-planeta Humanidade as possibilidades são imensas, não existe o estilo de vida perfeito ou a cultura ideal. As diferentes abordagens que países/culturas têm relativamente à sua interacção com o meio e às relações humanas devia ser elevado a Património do Humanidade.

E tudo isto porque hoje um jovem Europeu ficou algo surpreendido com o gesto amigável que uma jovem Australiana teve enquanto com ele falava. Simplesmente manteve a sua mão no ombro ou na perna do dito rapaz. Enquanto tal não será estranho a países do sul da Europa, como Portugal, em países mais nórdicos, caso do jovem, contacto físico enquanto se comunica pode ser interpretado de forma negativa. E assim o gesto, negativamente, interpretou o dito Europeu, que do Mundo havia experimentado Alemanha, onde nasceu, e Suíça!

Dia de Camões em Melbourne

O Dia de Camões. História de um Símbolo Nacional

No século XIX, estabeleceu-se que a data do falecimento de Camões teria ocorrido a 10 de Junho de 1580. O responsável por isso foi o visconde de Juromenha que descobriu, na Torre do Tombo, um documento onde era mencionada a quantia a que a mãe do poeta, D. Ana de Sá, tinha direito após a morte do filho, cuja data era indicada. As celebrações nacionais do tricentenário da morte do épico, em 1880, pelo impacto que tiveram na sociedade da época e pelo rasto que deixaram para a posteridade, inscreveram o dia nos fastos da memória republicana e nacional.
A monarquia constitucional não voltaria a comemorar a data. Foi a primeira vereação republicana da Câmara de Lisboa que decidiu transformá-la em feriado do município de Lisboa e num dia especialmente celebrado na capital do país. Ao sabor das vicissitudes políticas e da instabilidade da Primeira República portuguesa, o 10 de Junho foi comemorado durante vários anos, num misto de celebração laica e republicana, dominada pelo grande ideal da Instrução Pública, e de arraial popular, dada a proximidade dos festejos do Santo António.
Somente em 1925, na sequência das comemorações do quarto centenário do nascimento do poeta (também festejado na data da morte, por se desconhecer a do nascimento), é que a data foi consagrada como Festa de Portugal. Mas foi a Ditadura que, finalmente, a instituiu como feriado nacional. O Estado Novo manteve o feriado que, depois de um período de esmorecimento, foi recuperado no quadro da mística imperialista do regime e das comemorações do sacrifício de sangue que os soldados portugueses estavam a fazer nas guerras de África. A designação oficial continuou a ser de Dia de Portugal, mas a retórica vigente recuperou uma expressão já utilizada na comemoração do centenário em 1924, o Dia da Raça. A expressão não tinha um único sentido e tem de ser lida nos contextos em que foi utilizada para se perceber os vários significados que lhe foram atribuídos.
Depois do 25 de Abril, de 1974, num quadro democrático e pós colonial, o dia 10 de Junho manteve-se como um dos mais importantes feriados nacionais. A designação foi alterada para Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A celebração perdia o cunho imperial, mas não deixava de evocar a Diáspora dos Portugueses pelo mundo. O dia 10 de Junho e o Príncipe dos Poetas mantêm-se, assim, como um dos mais perenes símbolos da nação portuguesa.”

Maria Isabel João
(U. Aberta/ CEMRI)
Fonte: Clica aqui

Naturalmente eu não teria clarificado melhor as origens e razões deste tão especial dia.
Ontem, 10 de Junho de 2007, por pura coincidência uma pessoa de origem Índia informou-me deste “Portuguese Festival”! Inicialmente fiquei algo estupefacto, mas ao mesmo tempo seguro da lógica… afinal era o Dia de Camões, esse mesmo a quem tanto a Índia encantou!!

E foi nas Docklands que o evento decorreu. Um espaço similar ao Parque das Nações, em Lisboa. E também isso ajudou a reavivar a memória. Admito que o acontecimento me deixou algo espantado! Desde as filas desorganizadas para comprar comes e bebes, o pessoal a saltar a fila e a sacar comida pela evocação de compadrios, o estereótipo do Português cinquentão de bigode e barriguinha da felicidade… sem dúvida aquela tenda gigante era tão Portuguesa quanto Português se pode ser! A música popular no ar (pimba pois!), o caldo verde, os rissóis, a broa e as sardinhas, farturas, bifanas, feijoada, o Monte Velho mais a Sagres, Super Bock e Coral, pastéis de nata, pastéis de feijão, um mar de verde e vermelho, e o Inglês de Portugal: “Escuse mi.”, o embaixador de Portugal na Austrália com o seu discurso à 25 de Abril: “Senhor presidente da Asso… Esposa, Cavalheiros, Senhores, Senhoras, Gatos e Répteis, é com prazer…”, o terminar com o Rancho a dançar umas modas… e eu sei lá que mais…

Ontem, a 18000 km de distância e sem apanhar um avião, estive em Portugal por umas boas horas!!

Surfar sofás!

Hoje conheci mais um couchsurfer! Sim, um surfador de sofás! Alguns poderão já estar familiarizados com a definição, mas para outros poderá ser uma total novidade. Basicamente inscrevemo-nos num determinado sítio, disponibilizamos o nosso sofá ou solicitamos sofás… dependendo das nossas viagens e destinos. Um pouco mais complicado mas poderão pesquisar sobre detalhes. Couchsurfing começou em 1999. Não era uma noção pioneira. Porém, a forma como permite a interacção entre couchsurfers tornou-o numa referência/preferência.

Eu próprio sou um couchsurfer desde 2004. A minha participação tem sido algo conturbada. Porém voltei ao activo recentemente. Mas porquê ser parte de tal coisa? Porquê ser um couchsurfer e dormir em casa de desconhecidos e ter desconhecidos a dormir em nossa casa? Uma boa pergunta. Começo por dizer que temo que a filosofia original se dilua (se é que já não começou) com o aumento do número de membros. Afinal não podemos ter o planeta inteiro a fazer couchsurfing de qualidade. Em 2004 éramos 10000 e agora somos 210000! E os 10000 em cima dos 200000 foi só no último mês!! Mas não fugindo ao assunto. Surfar sofás não têm somente que ver com poupar uns trocos. Nem só se trata de pernoitar. Aliás, tem muito pouco que ver, pelo menos para mim. É sobre partilha. Sobretudo de informação, ideias e experiências. A base comum é o gosto por viajar, por absorver outras formas de estar, outras maneiras de conceber a vida. O sentir ser-se um embaixador da tolerância, da diversidade. Quando surfei pela primeira vez fiquei com as chaves do apartamento em dois minutos e vivi Paris como nenhum turista vive em quatro dias… ou quase nenhum. É uma oportunidade de ao visitar um local nos integrarmos com os “nativos”. De em pouco tempo ficarmos a saber o que pensam de um determinado sítio os que lá vivem. A possibilidade de aceder a informação que não vem nos guias turísticos! A possibilidade de experimentar o que não é suposto como turistas. Claro que é necessário muita confiança e abertura. Requere entrega e genuinidade. Creio que o aumentar constante do número de membros vai elevar a dificuldade da missão que é encontrar surfadores genuínos. Mas que tal não vos detenha.

Poema:

Há muitos
tubarões no mar
e nem por isso
o pessoal deixar de surfar!

Brincadeira…

Continuando:
Existem outros grupos/clubes, redes sociais… chamem-lhe o que quiserem… com filosofias idênticas, alguns inclusive mais antigos. Conheço pelo menos outros quatro. Stay4free, The Globetrotters Club, GlobalFreeloaders e Hospitality Club! E, depois de uma breve googlada, a título de curiosidade, apareceram mais uns poucos! Enfim… a moda pegou. Contudo nestas quatro outras opções a interacção com o sítio não é particularmente facilitada e pelo menos um solicita uma contribuição monetária. Talvez seja este o caminho a seguir. Criar filtros que permitam aos genuínos surfadores prevalecer. A facilidade de interacção que o Couchsurfing possibilita leva a que alguém com a mínima necessidade de um sofazinho para aterrar vá adiante e se junte aos 200000. Afinal não custa nada…
Todavia o meu objectivo é honrar o couchsurfing, não apontar os seus quês.
E aqui fica a sugestão: ajuntem-se à gente carago!
E não é necessário sair do país para surfar. Em Portugal somos mais de 3700.
Boas surfadelas.